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sábado, 24 de outubro de 2009

Maturidade

A gente não sabe ao certo quando a maturidade chega nem como ela se instala, talvez porque seja de forma lenta e quase imperceptível, mas de repente a gente se dá conta da prazerosa sensação da maturidade.

A pessoa madura sente-se mais livre para expressar pensamentos e sentimentos, dizer a sua verdade calma e mansamente. Muitas vezes opta por não dizer nada ainda que esperem que ela diga, e isto não lhe causa nenhuma culpa ou constrangimento.

A pessoa madura sente-se contente consigo mesma, valoriza o longo trajeto já percorrido e verifica que tanto as vitórias quanto as derrotas foram necessárias para o seu crescimento e plenitude. Não se desespera quando a vida parece dar uma longa pausa e aguarda com serenidade e otimismo as novas circunstâncias ainda não configuradas no cenário de sua existência.

A pessoa madura decididamente não faz tipo e se liberta de vez da idéia: mas o que vão pensar de mim? Aprende a distinguir valores essenciais dos valores supérfluos e descartáveis. Sabe que esta passagem pela terra é rápida demais para ser desperdiçada com mazelas. Os sonhos, projetos e ideais de uma pessoa madura são quase sempre exeqüíveis. Contenta-se com o que tem, ajusta-se dentro do próprio orçamento, não gasta mais do que ganha e faz algumas renúncias (de forma serena) em prol de seu núcleo familiar ou de alguma causa que resulte no bem comum.

A pessoa madura se despoja dos melindres, se despe dos preconceitos, deixa de ser reativa para ser pró-ativa. Aprende a gostar da própria companhia, torna-se a melhor amiga de si mesma dando ao próprio “eu” os contornos do equilíbrio. Conhece seus pontos fortes e fracos, sabe que não tem todas as respostas nem é dona da verdade mas mantém um código secreto de verdades e valores próprios que lhe permitem nortear-se, de forma positiva, pelas diversas circunstâncias da vida.

A pessoa madura não aparenta ser. Ela é! Ela é alguém que fez um “clean-up”, passou o “desfragmentador” no seu “disco rígido” e deu “del” em centenas de arquivos inúteis que atravancavam e emperravam o livre fluxo da própria existência. Ela é alguém que está em paz consigo mesma.
(Fátima Irene Pinto)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Evidências

Quem ama sente ciúmes (muito ou pouco, não importa), mas sente sim.
Quem deixou de amar já não se importa e deixa o outro totalmente à vontade, para que ele próprio possa estar também assim.

Quem ama, vez por outra dá uma patrulhada no território e delimita as suas fronteiras.
Quem deixou de amar já não fiscaliza, é frio, controlado e jamais perde as estribeiras.

Quem ama sempre acha tempo e encontra um jeito para estar com seu amor.
Quem deixou de amar vai postergando sem pressa, deixando que o vento sopre a seu favor.

Quem ama faz perguntas pessoais e usa muito o pronome “nós”.
Quem deixou de amar conversa banalidades e esquece o significado do advérbio “a sós”.

Quem ama quer saber da vida do outro com detalhes e transparência.
Quem deixou de amar se esquiva e não cobra do outro mais nada, nem ao menos coerência.

Quem ama é pródigo em e-mails, telefonemas e com muito carinho dá um jeitinho de marcar presença.
Quem deixou de amar é pródigo em desculpas e pretextos com os quais passa um verniz para disfarçar a indiferença.

Quem ama é naturalmente fiel e está sempre voltado às necessidades do outro ser.
Quem deixou de amar só é fiel a si próprio e ao seu bem estar e já não percebe os danos que causa, querendo ou sem querer.

Quem ama mas não pode corresponder por imperativos das circunstâncias, abre o jogo e usa de sinceridade.
Quem deixou de amar não descarta o outro do baralho, para o caso de uma eventualidade.

Será que neste momento você ama ou deixou de amar?
Será que devo lhe querer ou lhe deixar?
Se ainda ama, eu sei que providências irá tomar.

E se já não ama, com certeza irá se calar ou talvez até dizer:

- Face ao exposto, nada tenho a declarar!

(Fátima Irene Pinto)